Dália Negra

Elizabeth Short era uma atriz de fama medíocre e pouco sucesso em meados da década de 1940. A despeito da beleza cativante, jamais alcançara o estrelato por ela almejado, embora tenha partido alguns corações ao longo de sua meteórica passagem por Hollywood. Nenhum de seus escândalos amorosos, porém, se equiparou à repercussão advinda de seu brutal assassinato, em janeiro de 1947.

ANTECEDENTES

Elizabeth Short era a filha do meio de um total de cinco irmãs. Ela nasceu no ano de 1924, em Boston, tendo sido criada em Medford, subúrbio de Massachussetts, até os primeiros anos de sua adolescência. Sua mãe, Phoebe, era dona de casa, ao passo que seu pai, Cleo, revelara-se um talentoso designer ao ganhar a vida projetando e construindo campos de mini-golf. A família gozava de estabilidade e uma vida confortável até o trágico ano de 1929, quando o crack da bolsa de valores arruinou Cleo financeiramente. No ano seguinte, quando Elizabeth contava com apenas seis anos de idade, ele fugiu de casa, abandonando seu carro ao lado de uma ponte, em uma cena que se destinava a simular um suicídio.

Elizabeth permaneceu em Massachussetts até os dezesseis anos, quando as frequentes crises de asma e bronquite obrigaram a família a enviá-la a Miami para passar o inverno. Na Florida, ela arranjou um emprego de garçonete, e passou a dividir seu tempo entre o novo lar e a família: nos meses de verão, regressava a Medford, ao passo que, nos meses de frio, mantinha-se em Miami. Durante os três anos seguintes, ela viveu essa existência errante, que lhe presenteou com um momento que a marcaria pelo resto da vida: na Florida, ela conheceu o major Matt Gordon Junior, aviador que se tornaria seu grande amor. Elizabeth envolveu-se em um longo relacionamento com ele, enviando-lhe constantes correspondências quando regressava ao norte.

As viagens de Elizabeth estenderam-se até o início de 1943, quando decidiu, em um lampejo de rebeldia, largar tudo para ir viver em Santa Barbrara, na California. Não é difícil deduzir que já então ela optara por se dedicar à vida artísitca, e a proximidade com Hollywood a atraíra ao oeste. Ali, ela arranjou um emprego no posto de câmbio da base militar de Camp Cook, onde logo se tornou a "menina dos olhos dos soldados" do quartel. Por aquele tempo, Elizabeth já sabia que o pai não estava morto - ele enviara uma carta à esposa alguns anos antes, pedindo desculpas pelo sumiço e afirmando viver em Vallejo. Phoebe rasgara a carta e se esquecera de Cleo, mas Elizabeth mantivera na mente que o pai agora vivia na California. Não tardou a que ela fosse buscar abrigo na casa paterna.

Cleo, porém, não tinha uma personalidade fácil Ambos viveram sob o mesmo teto por alguns meses, mas logo o pai começou a acusar a filha de desleixo e a reclamar da falta de cuidado e higiene no trato da casa. Também passou a censurar sua vida errante, que a fazia voltar ao lar, muitas vezes bêbada, quando a madrugada já ia avançada. Cansada dos atritos com o pai, Elizabeth deixou sua casa em setembro de 1943.

As correspondências com Gordon não cessaram. Ainda assim, o aviador tinha sido mandado para a Grande Guerra, de modo que os planos de viverem juntos e eventualmente casarem-se tiveram de ser adiados. De volta a Santa Barbara, Elizabeth, apesar de ainda prometida a Gordon, passou a viver uma vida de excessos: festas, bares e casas noturnas tornaram-se seu habitat natural, sempre regadas a absurdas quantidades de álcool. No auge da beleza, Elizabeth estava sempre cercada de homens, que a abordavam com mais veemência e voluptuosidade quanto mais haviam bebido. Provocadora, ela atiçava os admiradores e permitia os flertes. Sua predileção recaía inegavelmente sobre os militares, cujas fardas pareciam servir-lhe de afrodisíaco.

Em setembro de 1943, logo após chegar a Santa Bárbara, Elizabeth - ainda sem a idade mínima permitida para a ingestão de bebida alcoólica - foi flagrada embriagada durante uma batida policial em um pub. Foi imediatamente presa e enviada de volta a Medford, aos cuidados de sua mãe. Passou alguns dias em casa, mas logo retornou à California.

Foto de Elizabeth Short no dia em que foi autuada pelo Departamento de Polícia de Santa Barbara

Em abril de 1945, Elizabeth recebeu uma carta de Gordon. Ele anunciou que estava voltando para casa, e aproveitou a ocasião para pedi-la em casamento. Exultante, ela guardou a carta consigo, sonhando com o momento em que seu formoso aviador voltaria e a conduziria ao altar. O tão desejado momento esteve muito próximo de se concretizar, mas algumas semanas mais tarde, enquanto pilotava de volta para casa, Gordon sofreu um acidente com seu avião, que caiu na Índia. Ele morreu imediatamente.

 Matt Gordon Junior e Elizabeth Short

A morte de Gordon causou grande sofrimento a Elizabeth. Desorientada, ela saiu da California e passou a perambular pelo país - voltou a Medford, Miami e à própria Hollywood, em uma existência novamente errante que lhe valeu diversos empregos, de garçonete a caixa de cinema. Um ano após a morte do noivo, talvez mais conformada, resolveu fixar-se novamente na California, à procura de seu tão sonhado papel de atriz. Ali, perambulou em hotéis e pensões, cercada de amigas e pretendentes, em um estilo de vida peculiar - sempre sem dinheiro, se valia da inegável beleza para obter empréstimos dos homens que a rodeavam, em um jogo de sedução fatalmente deixava seus admiradores alguns dólares mais pobres.

O CRIME

Em janeiro de 1947, Elizabeth vivia em um tênue equilíbrio com seus desejos mais intensos - cercada de bajuladores, era objeto de adoração por onde quer que andasse; por outro lado, cada vez mais velha e sem propostas concretas da indústria do cinema, distanciava-se inexoravelmente de qualquer chance de estrelato no selvagem mercado de Hollywood. Era uma vida dupla; talvez prazerosa por alguns momentos, mas potencialmente frustrante.

Foi nesse estado de espírito, talvez, que Elizabeth deixou as dependências do hotel Biltmore, em Los Angeles, na tarde de 9 de janeiro de 1947, Ela estivera ali à procura da irmã, Virginia, que ficara de visitá-la naquele dia, mas que, infelizmente, ainda não chegara ao hotel. Elizabeth fez então algumas chamadas telefônicas no balcão do Biltmore e partiu, sob o voluptuoso olhar do vigia de plantão. Nunca mais seria vista com vida.

Seis dias depois, em 15 de janeiro, Betty Bersinger passeava com sua filha de três anos nos arredores de Leimert Park, Los Angeles, quando um vulto em um terreno baldio chamou-lhe a atenção. A princípio, pensou tratar-se de um manequim, mas quando notou que as formas eram humanas demais, dirigiu-se a um telefone público e chamou a polícia. 

As primeiras pessoas a chegarem ao local, porém, não foram as autoridades policiais. O repórter Will Fowler e o fotógrafo Feliz Pagel, experts em interceptar a frequência de rádio da polícia em busca de furos jornalísticos, chegaram ao terreno baldio apenas alguns minutos após o telefonema. Tiraram diversas fotos da macabra cena que encontraram - imagens essas que rodariam o mundo - e talvez tenham indelével e irrevogavelmente contaminado a cena do crime. Assim que as primeiras imagens do assassinato chegaram aos jornais, a imprensa logo tratou de alcunhar a mulher morta de Dália Negra - uma referência aos seus cabelos escuros (e às roupas escuras que, em fotos depois reveladas, ela costumava usar), em contraposição à Dália Azul, um filme noir de algum sucesso que estreara anos antes.

Repórteres chegam à cena do crime, na manhã de 15 de janeiro de 1947

Membros do Departamento de Polícia de Los Angeles chegaram logo depois. Frank Perkins e Fitzgerald Will eram os oficiais de plantão naquela manhã, e foram os primeiros policiais a se envolverem no caso. Eles expulsaram repórteres e curiosos e se voltaram ao cadáver. A cena encontrada no terreno baldio era de arrepiar. Elizabeth havia sido serrada ao meio, na altura do diafragma, e o sangue de seu corpo havia sido completamente drenado. Seu rosto fora desfigurado por uma faca, em uma manobra conhecida como "sorriso Glasgow": dois cortes, dos cantos da boca às orelhas, haviam paralisado sua feição em um eterno e sinistro sorriso, como o personagem Coringa. Partes de seus seios e outros pedaços de carne e pele haviam sido removidos. Sua vagina fora preenchida com grama. O corpo fora lavado pelo assassino, que o posicionara no terreno de maneira deliberada, com os braços para cima e as pernas abertas. Era um autêntico espetáculo de horror.

A cena do crime

A autópsia revelou que Elizabeth contava então com 1,65m de altura, pesava 52 kg, olhos azuis e cabelos castanhos. Havia marcas de cordas em seus tornozelos, pulsos e pescoço. Hematomas no lado direito e frontal do couro cabeludo indicavam que ela fora golpeada na cabeça - o que causou um derrame no espaço subaracnoide e presumivelmente foi a causa de sua morte. Não havia sinais de sêmen em seu corpo, mas o estômago estava repleto de fezes humanas. O médico responsável pela autópsia, Dr. Frederick Newbarr, determinou que Elizabeth teria sido assassinada entre os dias 14 e 15 de janeiro - portanto, na véspera ou na mesma madrugada em que Bersinger encontrara o corpo. Isso indicava, considerando a data de sua última aparição pública, que Elizabeth fora mantida cativa cinco ou seis dias por seu assassino - período ao longo do qual provavelmente foi torturada e espancada.

Para completar a bizarra e irresponsável participação da imprensa no caso, repórteres do Los Angeles Examiner ligaram logo após a identificação do cadáver para a mãe de Elizabeth, Phoebe. Disseram a ela, em um cruel subterfúgio de manipulação, que a filha tinha vencido um concurso de beleza. A mentira tinha como objetivo coletar o máximo de informações sobre a vida de Elizabeth. Quando tinham obtido o que queriam, revelaram a verdade. Como uma absurda forma de compensação, o jornal se ofereceu para arcar com os custos da viagem de Phoebe à California, garantindo-lhe estadia em um hotel e a compra das passagens aéreas. O gesto humanitário serviu para o jornal isolar sua fonte de outros veículos de comunicação, tendo acesso exclusivo e permanente à mãe da vítima. Com um farto material em mãos, o Los Angeles Examiner logo começou a escrever matérias sensacionalistas a respeito de Elizabeth, descrevendo-a como uma misteriosa e sensual mulher de negro que rondava Hollywood e seduzia seus figurões. Surgia a lenda da Dália Negra.

A INVESTIGAÇÃO

O caso foi tratado como prioridade pela polícia de Los Angeles. John Donahoe, o capitão responsável pela investigação, nomeou seus dois detetives mais experientes, Harry Hansen e Finis Brown, para assumir o caso. A dupla logo concluiu que o assassinato não se dera no local onde o corpo fora encontrado - a ausência de sangue e a evidência de que as partes de seu corpo tinham sido lavadas corroboravam a tese. Também foram encontrados sacos de cimentos vazios, com vestígios de sangue, provavelmente usados no transporte do corpo, além de pegadas de sapatos masculinos ao redor da cena do crime. Segundo o Dr. Newbarr, o responsável por serrar o corpo tinha notável conhecimento de anatomia e habilidade com instrumentos de corte, uma vez que o procedimento tinha sido executado com precisão cirúrgica. Os policiais, ainda sem qualquer suspeito em vista, passaram a acreditar que o assassino tinha formação ou treinamento em medicina.

Os primeiros dias de investigação não trouxeram grandes avanços. A contaminação da cena do crime e o estardalhaço da imprensa tampouco contribuíram para o bom andamento do caso. Com os mínimos detalhes expostos a quem tivesse interesse de conhecê-los, dezenas de malucos se entregaram às autoridades, clamando a autoria do crime. A polícia teve de investigá-los um a um, até descartá-los como possíveis suspeitos. Quando mais de cinquenta pessoas já haviam procurado as autoridades, os investigadores, fartos de tantos desequilibrados mentais em busca de holofotes, espalharam a falsa notícia de que já haviam capturado o assassino. Tratava-se de Joseph Dumais, um entre tantos excêntricos que tinham se entregado à polícia, e que já havia sido descartado pela inconsistência de seus relatos e pela falta de provas materiais. Os investigadores o usaram como chamariz para desviar a atenção dos lunáticos, em uma manobra que visava recolocar a investigação de volta nos trilhos.

Ironicamente, um dos poucos momentos em que alguma luz foi jogada no caso foi justamente quando uma dessas auto-denúncias chegou a público. A 23 de janeiro, oito dias depois da descoberta do cadáver, o Los Angeles Examiner recebeu uma chamada telefônica anônima de um homem que exigia falar com o editor. Quando este se colocou à linha, o desconhecido se disse bastante zangado com a forma como o assassinato estava sendo veiculado na imprensa. Clamou ser o assassino e reclamou estar sendo subestimado pelos repórteres. Como prova de sua culpa, se comprometeu a enviar à redação itens de Elizabeth Short. No dia seguinte, um pacote dos correios chegou ao Los Angeles Examiner, contendo a certidão de nascimento de Elizabeth, cartões de visita, fotografias, nomes escritos em pedaços de papel e um livro de endereços com o nome Mark Hansen gravado na capa. A polícia logo descobriu que Hansen era um amigo de Elizabeth, a quem ela acorrera em busca de hospedagem em tempos de dificuldades. Hansen se tornou o primeiro suspeito oficial do caso.

Um dia depois do envio do pacote ao jornal, a polícia descobriu os sapatos e a bolsa de Elizabeth em uma lixeira localizada em um beco próximo ao local onde o corpo fora encontrado. A expectativa era de que essas novas evidências pudessem fornecer informações adicionais à polícia, mas nada significativo foi encontrado nos objetos.

OS SUSPEITOS

Ao todo, mais de sessenta pessoas - a maioria, homens - confessaram à polícia ter cometido o crime. Desses, vinte e cinco foram considerados suspeitos viáveis, mas não houve provas suficientes para que qualquer um deles fosse formalmente acusado. Outros suspeitos entraram na mira da polícia ao longo da investigação, sem resultados conclusivos. A seguir, trazemos uma breve lista dos principais suspeitos investigados à época - e sobre os quais ainda hoje pairam dúvidas quanto à real participação no caso.

Mark Hansen

Por razões já esclarecidas, Hansen foi o primeiro suspeito da polícia. Ele era um imigrante dinamarquês, nascido em Aalborg a 25 de julho de 1890. Hansen tinha se mudado para os Estados Unidos em 1919, chegando a Los Angeles em 1921. Em território norte-americano, ele eventualmente se tornou um bem sucedido homem de negócios, no ramo do entretenimento. Investiu na aquisição de teatros, albergues e casas noturnas, chegando a ser sócio da boate Florentine Gardens, onde Elizabeth trabalhou como garçonete. Hansen era uma figura tarimbada em Hollywood, sendo conhecido por flertar com estrelas da indústria cinematográfica – o que presumivelmente levou ao fim de seu casamento, poucos anos antes da morte de Elizabeth. Para trabalhar na Florentine Gardens, a boa aparência era um requisito fundamental, e era sabido que Hansen oferecia sua própria casa para estadia das belas e jovens garçonetes que contratava – e que invariavelmente pouco dinheiro tinham para alugarem uma moradia decente. Elizabeth valeu-se desse recurso um par de vezes entre outubro e novembro de 1946, mudando-se para a casa de Hansen ao lado de outras garotas que ele abrigava gratuitamente. É notório que o dinamarquês se envolveu sexualmente com quase todas elas, o que certamente incluiu Elizabeth. Alguns afirmavam que Hansen tinha se apaixonado por ela, e que o sentimento era recíproco. Aparentemente, Elizabeth deixou definitivamente a casa do dinamarquês quando flagrou-o na cama com outra mulher.

Além da libertinagem sexual, Hansen tinha alguns aspectos de sua vida que certamente preferiria manter ocultos. A Florentine Gardens era um tradicional ponto de encontro de mafiosos e seus capangas, o que levou muitos a imaginar que o imigrante estava, em algum grau, ligado ao mundo dos gangsters. Seu envolvimento no mundo do crime tornou-se ainda mais evidente quando os investigadores descobriram que ele mantinha policiais na sua folha de pagamento. Aliás, esse foi o principal recurso de que se Hansen utilizou quando confrontado com perguntas acerca do assassinato de Elizabeth – se a polícia não o deixasse em paz, ele denunciaria à imprensa os nomes dos oficiais que tivera de subornar a fim de que sua boate permanecesse em funcionamento. Aparentemente, deu certo – nada foi provado contra Hansen e ele nunca foi acusado formalmente.

Walter Bayley

Walter Alonzo Bayley era um cirurgião que, à época do assassinato, vivia a uma quadra do terreno baldio onde o corpo de Elizabeth foi encontrado. Sua filha era amiga íntima da irmã de Elizabeth, Virgínia, e de seu cunhado, Adrian, tendo sido madrinha do casamento de ambos. Por falta de maiores vínculos, Bayley nunca foi formalmente um suspeito, apenas um investigado (person of interest, no jargão policial norte-americano). No entanto, após sua morte, em 1948, levantou-se a hipótese de que ele poderia estar envolvido, pois, durante a autópsia, descobriu-se que ele sofria de uma doença degenerativa nervosa, que poderia levar a comportamentos violentos e impulsivos. Essa constatação, somada à sua conhecida habilidade como cirurgião, o levaram a figurar entre os suspeitos anos após a sua morte – opinião endossada por especialistas em comportamento criminal do FBI. 

Leslie Dillon

Dillon era um aspirante a escritor que trabalhava em um hotel e imediatamente se interessou pelo caso, quando leu o relato em uma revista policial. Em outubro de 1948, ele começou a escrever para o psiquiatra da Polícia do Los Angeles, Dr. J. Paul De River, sobre o qual tinha levantado informações na revista. Dillon morava então na Flórida, mas tinha vivido anteriormente em Los Angeles. O aspirante a escritor começou a expor a De River suas teorias sobre o caso, e o conhecimento íntimo que revelou a respeito de detalhes do crime chamou a atenção das autoridades. Ele também mencionava explicitamente seu intenso interesse em sadismo e violência sexual, e sua esperança de poder um dia escrever a biografia do assassino da Dália Negra. Ao contrário do que tinha ocorrido com outros caçadores de manchetes envolvidos na época, ele nunca confessou ou clamou o crime para si, mas ofereceu outro homem como suspeito, um amigo de nome Jeff Connors. Ao longo de sua correspondência, De River começou a acreditar que Connors era uma invenção da imaginação de Dillon e que o próprio Dillon teria cometido o assassinato. Após algumas trocas de correspondência, em dezembro de 1948, Dillon concordou em se reunir com De River em uma cidade à sua escolha: Phoenix, Los Angeles ou Las Vegas. O suspeito escolheu Las Vegas, para onde voou alguns dias depois. Ali, em um encontro com policiais à paisana, prometeu mostrar-lhes Jeff Connors em San Francisco. O grupo viajou para a Califórnia, onde Dillon foi incapaz de localizar o suposto amigo. Fartos e desconfiados, os policiais o algemaram e o conduziram clandestinamente a um hotel de Los Angeles, onde o mantiveram indefinidamente para interrogatório, esperando uma confissão. Dillon conseguiu escapar do cárcere ao jogar um bilhete com um pedido de socorro pela janela do hotel. Um transeunte o encontrou e entregou à polícia local. Pouco depois do incidente, as autoridades finalmente localizaram Connors – pseudônimo de Artie Lane, um ex-trabalhador da Columbia Studios, empresa frequentada eventualmente por Elizabeth. A polícia jamais conseguiu ligar Lane – ou Dillon – ao crime, e ambos foram liberados.

Robert Manley

Última pessoa vista com Elizabeth antes de seu desaparecimento, Manley era o principal suspeito da polícia nos primeiros dias após o crime. Ele tinha saído com Elizabeth no dia 8 de janeiro, deixando-a no hotel Biltmore no dia seguinte, quando desapareceu. Porém, depois de passar em dois testes de polígrafo e apresentar um sólido álibi, Manley foi liberado. Ele também identificou a bolsa de bolsa de Short e um de seus sapatos depois que eles foram descobertos em uma lixeira, em 25 de janeiro de 1947. Manley, que tinha sido dispensado do exército por deficiência mental, sofreu subsequentemente uma série de colapsos nervosos e afirmou estar ouvindo vozes. Como resultado, ele foi internado, a pedido de sua esposa, no Patton State Hospital, conhecida instituição psiquiátrica da Califórnia.

George Hodel

Hodel não entrou na lista de suspeitos até outubro de 1949, quando foi acusado de abuso sexual por sua filha de 14 anos, Tamar. Hodel era um médico natural da Califórnia, de ascendência russo-judaica e extremamente inteligente (diz-se que um teste de QI seu, realizado ainda na juventude, resultou em 186). Seu passado era sombrio. Tinha sido expulso da California Institute of Technology, onde frequentava o curso de Engenharia Química, supostamente por ter se envolvido sexualmente com a esposa de um professor. Também pairava sobre ele a suspeita de estar implicado na morte de sua então secretária particular, Ruth Spaulding, que falecera de uma suposta overdose em 1945. Ele estava presente quando Spaulding morreu, e queimou alguns de seus papéis antes de chamar a polícia. O caso foi arquivado devido à falta de provas, mas documentos encontrados mais tarde indicaram que Spaulding pode ter ameaçado tornar público o fato que Hodel estava falsamente diagnosticando pacientes com doenças sexualmente transmissíveis, a fim de encaminhá-los para exames de laboratório, tratamentos médicos e prescrições não necessárias – e faturando com isso. Após a denúncia de Tamar, Hodel foi incluído no rol de agressores sexuais (embora tenha sido posteriormente inocentado da acusação de estupro), a partir do que teve sua casa colocada em vigilância, com a instalação de dois microfones, e seus telefones grampeados. A vigilância trouxe resultados. Hodel foi flagrado em declarações bizarras, como as que seguem abaixo transcritas:

Supposin' I did kill the Black Dahlia… They couldn't prove it now. They can't talk to my secretary anymore because she's dead.... They thought there was something fishy. Anyway, now they may have figured it out. Killed her. Maybe I did kill my secretary....” (“Supondo que matei a Dália Negra... Eles não poderiam provar agora. Eles não podem mais falar com a minha secretária porque ela está morta ... Eles pensaram que havia algo a ser descoberto. Enfim, agora eles podem ter descoberto. Matei ela. Talvez eu tenha mesmo matado a minha secretária ...”)- George Hodel. 18 de fevereiro de 1950

À época do assassinato, Hodel tinha uma clínica

Até a denúncia de O filho de Hodel, o ex-detetive de homicídios de LAPD Steve Hodel, acredita que Elizabeth Short pode ter sido um dos pacientes de seu pai.

George Knowlton

Em 1995, Janice Knowlton, uma ex-cantora e proprietária de uma empresa de relações públicas, lançou o livro Daddy Was The Black Dahlia Killer, onde relata que seu pai, George Knowlton, teria assassinado Elizabeth Short. Segundo ela, George teria tido um caso com Elizabeth e a hospedado em um quarto improvisado na garagem - onde ela também teria sofrido um aborto. George supostamente assassinou Short na garagem e dividiu-a na pia, forçando em seguida sua filha de então dez anos, Janice, a ajudá-lo a se livrar do corpo. Segundo essa versão, Elizabeth era uma prostituta e desempenhava um papel importante no tráfico internacional de crianças. Janice afirma que suas alegações se baseiam principalmente em "memórias recuperadas", que surgiram durante a terapia que ela frequentou para tratar a depressão após uma histerectomia. Poucas evidências existem ligando George ao caso, exceto que ele viveu na área de Los Angeles na época do assassinato de Elizabeth. George faleceu em um acidente automobilístico em 1962. Sua filha morreu em 2004, em decorrência de uma overdose de drogas prescritas – relatada oficialmente como suicídio.

Patrick O'Reilly

Amigo próximo de Mark Hensen, O’Reilly era um médico conhecido por sua violência sexual. Ele já tinha sido condenado por agressão contra sua ex-secretária e participava regularmente das orgias promovidas por Hensen. Tinha mutilações no peito semelhantes àquelas encontradas no cadáver de Elizabeth.

Outros suspeitos: pai, falso acusado, etc.

POSSÍVEIS CONEXÕES COM OUTROS CRIMES

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