O Zodíaco

Ao lado de Jack, o estripador, ele é hoje o serial killer mais famoso entre todos aqueles que nunca tiveram sua identidade revelada. Atuou no norte da Califórnia entre o final da década de 1960 e o começo da de 1970. Ali, sequestrou, torturou, matou e difundiu o pânico na população. Como um personagem de história em quadrinhos, gabou-se da própria astúcia e crueldade, divulgando cartas provocadoras aos veículos de comunicação, enquanto brincava com a polícia em um jogo de gato e rato em que nunca foi encurralado. Seu nome? O Zodíaco.

Cheri Jo Bates permaneceu até o cair da noite na biblioteca da Escola de Riverside, mergulhada em seus estudos de rotina. Quando a biblioteca fechou, às 21:00h, ela se dirigiu ao estacionamento da Escola e tentou dar a partida ao seu fusca de cor verde. O motor falhou e ela insistiu algumas vezes com a chave na ignição, até um solícito e providencial visitante aparecer para lhe oferecer carona. Ele a levaria em segurança até algum local onde ela pudesse solicitar auxílio para consertar o fusca. Agradecida, Bates entrou no veículo e ambos se afastaram do estacionamento da Escola. Apenas alguns metros após começar a dirigir, porém, o estranho subitamente parou o carro e atacou a moça com as próprias mãos. Ele a socou e esbofeteou, procurando em seguida asfixiá-la até a morte. Diante da resistência da estudante, sacou uma faca de lâmina curta e passou a retalhá-la. Bates lutou bravamente pela vida, mas as diversas facadas no peito, nas costas e no pescoço a levaram a óbito.

À polícia, algumas testemunhas relataram ter observado um homem branco, de meia idade, rondando pela região em um carro velho. Descobriu-se que o carro de Bates havia sido sabotado, com alguns fios do motor deliberadamente cortados. Um relógio de modelo masculino da marca Timex foi encontrado próximo ao corpo. Seus ponteiros, imóveis, indicavam a hora em que o relógio havia parado de funcionar: 12:24h. Era a noite de 30 de outubro de 1966.

ASSASSINATOS

O Zodíaco foi o serial killer mais prolífico da Califórnia durante os anos em que permaneceu ativo. Seu codinome advém da maneira como ele começou a assinar as cartas que passou a enviar à imprensa e à polícia a partir de 1969, e certamente era uma referência aos símbolos astrológicos que receheavam algumas de suas mensagens codificadas. A saudação com que começava a maioria das correspondências tornou-se uma de suas marcas registradas: "This is the Zodiac speaking...".

Supõe-se que o assassinado de Cheri Jo Bates tenha sido o primeiro da série de mortes perpetradas pelo Zodíaco. Embora a conexão nunca tenha sido totalmente provada, o modus operandi do assassino e o envio de uma carta à polícia de Riverside se encaixam no perfil do serial killer. A carta, enviada em 29 de novembro - um mês depois do assassinato - era datilografada e se intitulava "A confissão". Nela, os investigadores encontraram detalhes do crime de conhecimento exclusivo da polícia. O autor assumia a responsabilidade pelo assassinato e prometia: "ela não foi a primeira, e nem será a última". Em dezembro, foi encontrado um poema oculto esculpido em uma das mesas da biblioteca da Escola de Riverside. Ele começava com as frases "cansado de viver/relutante em morrer" e foi escrito em um estilo que alguns investigadores atribuíram ao Zodíaco. Foi assinado com as iniciais RH.

Seis meses após o assassinato, em 30 de abril de 1967, três cartas foram endereçadas pelo assassino, concomitantemente, à polícia de Riverside, ao jornal Press-Enterpise e ao pai de Bates, Joseph. As três tinham sido escritas à mão e eram de conteúdo quase idêntico; as duas primeiras continham a mensagem "Bates tinha que morrer, haverá mais", ao passo que aquela endereçada ao pai da vítima dizia "Ela tinha que morrer, haverá mais". As cartas encaminhadas à polícia e à imprensa estavam assinadas com um Z. 

Betty Lou Jensen e David Faraday

Em 20 de dezembro de 1968, o estudante David Faraday dirigia tranquilamente pela bela Lake Herman Road, nos arredores da cidade de Benício, California, ao volante do station wagon Rambler de sua mãe. Ao seu lado, seguia Betty Lou Jensen, uma garota de 16 anos com quem Faraday partia para seu primeiro encontro. Tinham acabado de visitar um amigo e de almoçar em um restaurante de Benício, quando então decidiram parar em um estacionamento à beira da rodovia - uma conhecida área recoberta de cascalho, onde namorados costumavam parar para passar momentos românticos sem serem incomodados. Haviam transcorrido apenas poucos minutos de sua chegada, quando um segundo veículo estacionou ao lado do Rambler de Faraday, Um homem armado desceu do carro, ordenando que ambos saíssem do station wagon. Antes mesmo que pudessem obedecer, o estranho abruptamente abriu fogo. Faraday foi pego enquanto tentava sair do veículo, alvejado na cabeça. Jensen conseguiu sair do carro, mas logo foi abatida, também a tiros, pelas costas. 

Os corpos foram achados dali a alguns instantes por uma moradora local. A perícia logo concluiu que a arma utilizada pelo criminoso foi uma pistola semiautomática calibre .22. Devido à ausência de testemunhas, no entanto, nenhuma outra pista relevante foi descoberta.

O assassinato de David Faraday e Betty Lou Jensen foi o primeiro crime inequivocamente atribuído ao Zodíaco.

Darlene Ferrin e Michael Mageau

4 de julho, aniversário da independência norte-americana, é um dia de grande festa nos EUA. Nessa noite, em meio às celebrações na cidade de Vallejo, o operário Michael Mageau e sua amante, a garçonete Darlebe Ferrin se dirigiram até o remoto estacionamento de  Blue Rock Springs. Ferrin era casada, e estava envolvida em um relacionamento extraconjugal com Mageau havia algum tempo. Pouco antes da meia noite, enquanto trocavam carícias dentro do carro de Ferrin, um segundo veículo - presumivelmente um sedan marrom - estacionou por breves momentos ao lado do casal. O homem no interior do veículo os observou por alguns instantes e partiu rumo à saída do estacionamento. Dez minutos depois, o mesmo veículo retornou e estacionou atrás do carro de Ferrin. Um homem de lanterna em punho e armado com uma pistola semiautomática de 9mm abordou o casal. Dirigiu o feixe de luz direto para os olhos de Ferrin e Mageau, sem dizer qualquer palavra. Pensando tratar-se de uma abordagem policial, os amantes começaram a buscar seus documentos pessoais em seus bolsos. Nesse instante, o homem começou a disparar. Depois de cinco tiros, começou a retornar lentamente a seu veículo. Ferrin estava inconsciente, alvejada por tiros que tinham atravessado o amante e se alojado em seu corpo. Mageau, porém, agonizava, e um de seus gemidos chegou aos ouvidos do assassino. Ele então calmamente regressou ao veículo de Ferrin e disparou duas vezes mais contra cada uma das vítimas.

Foi nesse momento que Mageau pôde ver com mais clareza o criminoso. Ele era branco, tinha entre 1,75m e 1,80m de altura, possuía cabelos castanhos e rosto redondo. Logo depois, Mageau perdeu a consciência. Ele foi resgatado e levado a um hospital da região, onde conseguiu sobreviver aos ferimentos. Ferrin, por outro lado, não resistiu ao ataque.

Durante algum tempo, o marido de Ferrin foi considerado o principal suspeito do crime. Seu álibi, no entanto, o inocentou. Adicionalmente, um telefonema dado às 00:40 do dia 05 de julho à polícia de Vallejo trouxe uma novidade ao caso. O homem que telefonava clamava ser o criminoso, assumindo também a autoria dos assassinatos de David Faraday e Betty Lou Jensen. Dizia ter usado uma pistola semiautomática 9mm no crime da noite anterior, o que a polícia sabia ser verdade. A ligação foi rastreada, e sua localização de origem foi atribuída a um telefone público de um posto de gasolina, a poucas quadras da polícia de Vallejo e a meio quilômetro da casa de Ferrin.

Bryan Hartnell e Cecelia Shepard

Quando um pescador às margens do lago Beryessa ouviu gritos de "Socorro!" em algum ponto da pequena e remota ilha que cortava o lago, não poderia imaginar a cena que o esperava ao atender o chamado e chegar à origem dos berros. Um casal de jovens - Bryan Hartnell e Cecelia Ann Sheppard - estava amarrado e com diversas perfurações à faca ao longo do corpo. O pescador logo contatou guardas florestais locais, que acionaram uma ambulância. Quando a polícia do condado de Napa chegou, Shepard ainda estava consciente. Ela forneceu uma descrição detalhada do criminoso - homem branco, corpulento, de aproximadamente 100kg de peso. Uma pegada no local indicou que o suspeito calçaria sapato de número 42.

Shepard entrou em coma algumas horas mais tarde. Morreu dois dias depois, em decorrência dos severos ferimentos. Hartnell sobreviveu e foi procurado avidamente pela imprensa - à qual recontou várias vezes sua versão. O casal se dedicava a um piquenique no lago Beryssa, sobre uma frondosa toalha estendida no chão, quando um homem se aproximou com uma arma na mão - segundo Hartnell, uma pistola .45. Ele usava um capuz com aberturas restritas aos olhos, sobre os quais levava óculos escuros. Sobre sua roupa, uma tira de pano acoplada aos ombros trazia um desenho singular: um círculo recortado por uma cruz. Dali em diante, esse seria o símbolo pelo qual o Zodíaco seria conhecido.

O criminoso afirmou ser um fugitivo de um presídio de Montana, em busca de meios e dinheiro para ir ao México. Solicitou que Shepard amarrasse Hartnell com um rolo de fios que trazia nas mãos, mas, como a garota deliberadamente atou o namorado com nós frouxos, o próprio criminosos tomou para si a tarefa. Amarrou a ambos e, ao invés de roubar dinheiro e carro - como garantira - passou a esfaqueá-los repetidas vezes. Quando tomou-os por mortos, afastou-se e dirigiu-se ao carro de Hartnell. Ali, desenhou o símbolo do círculo com a cruz e escreveu no vidro, com uma caneta preta: "Vallejo/20-12-68/4-7-69/Set 27–69–6:30/à faca". A inscrição, como se pode ver, incluía as datas de assassinato do casal Faraday/Jenses e do ataque a Ferrin/Mageau.

Às 19:40h do dia do cirme, 27 de setembro de 1969, o telefone do escritório do xerife de Napa tocou. Do outro lado da linha, um homem proclamando a autoria do ataque. Mais uma vez, a ligação foi rastreada. Quando os policias chegaram ao local de origem da chamada - um lava-rápido no centro de Napa - a ligação acabara havia pouco, e o telefone estava ainda fora do gancho. Uma impressão digital fresca foi coletada do aparelho, mas nunca pôde ser ligada a qualquer um dos suspeitos.

Paul Stine

Na noite de 11 de outubro de 1969, o taxista Paul Stine parou seu veículo no cruzamento entre as ruas Geary e Mason, nos arredores da Union Square, em San Francisco. Um passageiro entrou no táxi e solicitou uma corrida até o bairro de Presidio Heights. Assim que o veículo passou a rua Maple, rumo à rua Cherry, Stine recebeu uma bala no crânio, disparada do cano de uma pistola 9mm. Instantaneamente morto, o taxista teve as chaves do carro e a carteira roubada, bem como um pedaço de sua camisa encharcada de sangue arrancada pelo assassino.

Três jovens do outro lado da rua testemunharam o crime. Imediatamente acionaram a polícia. Nesse momento, o Zodíaco esteve mais perto do que nunca de ser pego. Uma viatura de polícia a apenas duas quadras do local do crime foi acionada, passando em seu caminho por um homem que se afastava do local do crime. Era um homem que, como se saberia mais tarde, se encaixava perfeitamente na descrição do zodíaco - branco, em torno dos trinta anos, corpulento, de altura em torno de 1,78m. No entanto - e esse pormenor jamais foi explicado de maneira convincente - os primeiros alertas da polícia indentificavam o suspeito como um homem negro. Assim, a viatura que passava pelo local desistiu de abordar o suspeito que se afastava da cena do crime. Nunca mais a polícia teria outra chance tão clara de encontrar cara a cara o Zodíaco.

O crime poderia ter sido confundido com uma ocorrência comum de roubo. No entanto, três dias mais tarde, o jornal San Francisco Chronicle recebeu uma carta com os seguintes dizeres: "Aqui é o Zodíaco falando. Eu sou o assassino do taxista encontrado entre as ruas Washington e Maple na noite passada. Para provar isso, aqui está um pedaço ensanguentado de sua camisa". Junto à carta, o exato pedaço da roupa arrancada de Stine logo após o crime. O Zodíaco tinha feito mais uma vítima.

Kathleen Johns

Kathleen Johns, uma jovem de vinte e dois anos, dirigia para a cidade de Petaluma, California, acompanhada de sua filha de 10 meses. Ela estava grávida de um segundo bebê, e planejava visitar a mãe doente na cidade vizinha. A noite já ia avançada naquele 22 de março de 1970 quando Johns avistou pelo retrovisor um carro aproximando-se em alta velocidade. O veículo buzinou e fez sinal com o farol, solicitando que a moça parasse. Johns encostou seu carro no acostamento, enquanto o homem que a seguia fazia o mesmo, estacionando ao seu lado. Era um homem branco, relativamente alto, um tanto obeso, de cabelos escuros e curtos e rosto redondo. Vestia roupas escuras e levava ao rosto óculos de grau de armação grossa.  Ele aproximou-se do carro de Johns e informou-lhe que uma das rodas do veículo estava um pouco solta e trepidava enquanto ela dirigia. O estranho ofereceu-se para apertar os parafusos da roda, sugestão que foi aceita de bom grado pela mulher. Após alguns minutos agachado ao lado do pneu, o homem anunciou ter terminado o serviço e retirou-se, retornando ao seu carro e retomando o caminho na estrada. Agradecida, Johns deu a partida ao seu carro e também tentou continuar a viagem. Assim que alcançou novamente o asfalto, porém, a roda supostamente reparada pelo estranho se soltou, rolando pela estrada.

Pela segunda vez, o homem desceu do veículo - apenas alguns metros à frente - e se aproximou, oferecendo ajuda. Disse a Johns que a levaria até o posto de gasolina mais próximo, a fim de que ela buscasse ajuda para reparar definitivamente a roda do carro. Jonhs uma vez mais aceitou a oferta, pegando sua filha de dez meses no colo e entrando no veículo do estranho.

O homem dirigiu por uma hora e meia, mas não parou em nenhum dos diversos postos que se estendiam ao longo do caminho. Johns perguntou-lhe mais de uma vez por que ele passava reto pelos postos, mas o estranho simplesmente se recusava a responder. Sentido-se em perigo, a moça agarrou a filha no colo e, na primeira interseção onde o homem se viu obrigado a parar, saltou do veículo e correu para a mata adjacente. Ela se abrigou nas árvores escondidas pela escuridão, desesperadamente agarranda ao bebê. O homem encostou o carro e, munido de uma lanterna, a procurou por toda a região, gritando que não pretendia machucá-la. Após uma longa busca, ele desisitiu, regressou a seu carro e se afastou.

Quando Johns sentiu-se fora de perigo, deixou a segurança da mata e começou a pedir carona à beira da estrada. Conseguiu um carro que a levou até a delegacia de polícia de Patterson. Lá, prestou depoimento ao sargento de plantão, que registrou sua queixa. Enquanto falava, John viu o desenho de um retrato falado pendurado na parede, às costas do sargento. Interrompeu o depoimento para dizer ao policial que fora o homem da imagem que a abordara e sabotara a roda de seu carro, no intuito de sequestrá-la.

O sargento virou-se a fim de identificar a figura. Tratava-se do retrato falado do assassino do taxista Paul Stine.

CARTAS PARA A IMPRENSA

Paul Avery foi o jornalista responsável pela cobertura do caso do Zodíaco no San Francisco Chronicle. Ele seguiu de perto os assassinatos atribuídos ao serial killer, e escreveu diversas matérias na seção policial do jornal, levando ao público detalhes acerca dos crimes cometidos pelo Zodíaco e das investigações da polícia no sentido de desvendar sua identidade. Em 27 de outubro de 1970, Avery recebeu um cartão postal, enderçado à redação do San Francisco Chronicle  em seu nome (ou quase isso, já que o Zodíaco errara o nome do jornalisra, chamando de Paul "Averly"). O cartão dizia "Você está condenado". Na parte da frente, o criminoso complementava: "De seu amigo secreto: eu sinto nos meus ossos/você quer saber meu nome/então vou te dar uma pista". Atrás do cartão, porém, o assassino voltava atrás: "Mas por que estragar o jogo?". A ameaça foi levada a sério: a imagem do cartão foi publicada nas manchetes de primeira página do Chronicle. Avery comprou um revólver calibre .38 e começou a andar armado.

Em 16 de novembro, algumas semanas mais tarde, Avery escreveu um artigo alertando quanto às similaridades entre o caso de Chery Jo Bates, até então nunca conectado com nenhum serial killer, e o modus  operandi do Zodíaco. O artigo foi escrito com base em uma carta anônima. Cinco meses mais tarde, o Zodíaco teria enviado uma carta ao Los Angeles Times minimizando as descobertas de Avery e atribuindo à polícia a descoberta da conexão entre os crimes. "Os policiais descobriram as atividades em Riverside", teria escrito ele, "mas eles apenas estão encontrando as fáceis, tem muito mais que foi feito ali". Como a autenticidade da carta foi posta em dúvida tempos depois, permanece a incerteza quanto à real participação do Zodíaco no caso de Bates.

Avery foi apenas um dos alvos das mensagens do serial killer. Em 14 de outubro de 1969, junto com a confissão da autoria do assassinato de Stine - e um pedaço de sua camisa ensanguentada - o San Francisco Chornicle recebeu uma sinistra mensagem do Zodíaco: "Estudantes são um bom alvo. Acho que vou pegar um ônibus escolar um dia". Ele continuava: "Vou apenas atirar no pneu dianteiro e, em seguida, acertar os meninos conforme eles forem saindo". A ameaça provocou reações. Carros de polícia passaram a acompanhar o trajeto de ônibus escolares em San Francisco, enquanto oficiais armados seguiam no interior dos veículos, junto com os estudantes. Até aeronaves foram usados na vigilância dos trajetos considerados mais visados. Alguns dias depois, uma nova carta chegou ao jornal. Nela, o Zodíaco desenhara o diagrama de uma bomba, chamada por ele de "máquina da morte", que pretendia explodir em alguma rota de ônibus. Mais uma vez, a polícia aumentou a vigilância e passou a patrulhar os caminhos mais movimentados, mas, felizmente, o serial killer nunca pôs em prática sua ameaça.

O caso Stine continuou a render mensagens do Zodíaco. Em 9 de novembro de 1969, uma carta de sete páginas chegou ao Chronicle, assinada por "Z". Nela, o assassino descrevia em detalhes como tinha sido abordado por um policial na noite do assassinato do taxista, apenas alguns minutos após ter cometido o crime. A carta foi publicada parcialmente pelo jornal. À época, oficiais da polícia desmentiram a versão, reconhecendo, contudo, que uma das viaturas cruzou com um suspeito a caminho da cena do crime, e que esse suspeito correspondia às descrições do Zodíaco levantadas a posteriori. As autoridades também afirmaram ter colhido impressões digitais banhadas em sangue no local, o que provocou nova resposta do assassino. Segundo ele, seus dedos estavam cobertos de cola, de modo a garantir que não haveria rastros.

Melvin Belli

Melvin Belli era um proeminente advogado de San Francisco na época dos ataques do Zodíaco, conhecido por defender criminosos e celebridades do calibre de Chuck Berry, Muhammad Ali e The Rolling Stones. Era chamado de "o rei dos delitos". Às 14:00h do dia 20 de outubro de 1969, a polícia de Oakland recebeu uma ligação de alguém que dizia ser o Zodíaco. Ele exigia a presença de Belli, bem como de um segundo famoso advogado, Lee Bailey, no programa televisivo A. M. San Francisco. Bailey recusou-se a comparecer, mas Belli se dirirgiu à emissora que transmitia o show e entrou no ar. Logo depois, o suposto Zodíaco ligou para o programa. Disse chamar-se Sam e solicitou que Belli o representasse como seu advogado. O famoso criminalista aceitou, combinando um encontro na cidade de Daly - um povoado a 16 quilômetros de San Francisco. O Zodíaco, ou quem estava tentando se passar por ele, no entanto, nunca apareceu.

Um mês e dez dias mais tarde, em 20 de dezembro, o Zodíaco enviou uma carta a Belli com uma nova tira da camisa de Stine. Desta vez, não havia dúvidas quanto à identidade do remetente. Ao contrário do dia em que tinha os holofotes sobre si, porém, Belli não se mostrou disposto a ajudá-lo.

MENSAGENS EM CÓDIGO

 

As primeiras cartas enviadas pelo Zodíaco à imprensa datam de 31 de julho de 1969. Nesse dia, três correspondências praticamente idênticas foram postadas para os jornais Vallejo Times-Herald, San Francisco Examiner e San Francisco Chronicle. O autor das mensagens assumia a autoria dos assassinatos de Faraday, Jensen e Ferrin, e incluía no texto detalhes dos crimes que seriam de conhecimento apenas de seu executor. As cartas também encaminhavam trechos de mensagens codificadas, de 408 caracteres cada, que, segundo o autor, se fossem decifradas em conjunto revelariam sua identidade. Ele exigiu que as três mensagens fossem publicadas nas capas dos respectivos jornais, ou então, segundo suas palavras ele "andaria por aí durante todo o fim de semana, matando pessoas solitárias na noite, depois continuaria matando de novo, até acabar com uma dúzia de pessoas no fim de semana".

Os jornais atenderam a exigência e publicaram as mensagens cifradas no dia seguinte ao recebimento das cartas. A princípio, ninguém foi capaz de decodificá-las. O FBI e especialistas em criprografia da Marinha foram acionados, mas, por dias, nenhum retorno foi dado ao Departamento de Polícia de Vallejo. Até que, uma semana depois da publicação, o professor de 2º grau Donald Gene Harden apresentou às autoridades sua solução. Ele passara o fim de semana ao lado de sua mulher, Betty Harden, tentando quebrar o código em meio às refeições e aos momentos de lazer. Supondo que haveria muitas letras I na mensagem (de "I" e de "kill"), os casais foi fazendo as substituições cabíveis nos símbolos, até obter uma resposta satisfatória. Sua solução foi encaminhada ao Centro de Comunicação Naval da Ilha Skaggs, que considerou válida a decodificação. Em 9 de agosto, o Vallejo Times-Herald e o San Francisco Chronicle publicaram a mensagem decodificada em sua capa. Ela dizia:

“Eu gosto de matar pessoas porque é divertido demais. É mais divertido do que caçar na floresta, porque o homem é o mais perigoso de todos os animais. Matar me dá a mais prazeiros experiência. É melhor do que fazer sexo com uma mulher. A melhor parte disso é que, quando morrer eu vou renascer no paraíso, e todos que matei se tornarão meus escravos. Não direi quem sou ainda, pois vocês irão tentar diminuir ou parar minha colheita de escravos para a outra vida.”

Havia ainda dezoito letras finais na mensagem, cujo significado permanece um mistério até hoje: EBEORIETEMETHHPITI.

Apesar de todos os indícios, a polícia ainda duvidava do valor das cartas enviadas. O chefe de polícia Jack E. Stiltz revelou não estar convencido de que as mensagens haviam sido escritas pelo assassino. Em resposta à sua declaração, o serial killer mandou uma carta com novos detalhes sobre os crimes. A correspondência começava com uma frase que se tornaria mundialmente conhecida, e que se tornaria capaz de provocar calafrios instantâneos nos leitores a partir de então: "This is the Zodiac speaking...". Era a primeira vez que o assassino se atribuía esse nome. O maior serial killer da California estava finalmente batizado.

A Z-340

Em 8 de novmebro de 1969, o Chronicle receberia uma nova carta cifrada do Zodíaco, de 340 caracteres. A mensagem se tornaria conhecida como Z-340, em contraposição à Z-408, a cifra decodificada pelo casal Harden. A Z-340 jamais foi decifrada. Algumas soluções já foram propostas por criptógrafos, mas nenhuma se provou conclusiva.

Novas cartas

O Zodíaco permaneceu em contato com a imprensa e a polícia ao longo do ano de 1970. Em 20 de abril, enviou uma carta à polícia na qual supostamente revelava, por meio de um código, sua identidade:

Esse código, no entanto, jamais foi decifrado. Na mesma carta, ele dizia haver "mais glória em matar um policial que uma criança, porque o policial pode atirar de volta", louvando os atos de um terrorista que atacara à bomba a delegacia de San Francisco (crime cuja autoria ele negava). Também incluiu na mensagem a cifra Zodiac Killer symbol.svg = 10, SFPD = 0, uma suposta alusão a seus dez assassinatos cometidos, contra nenhum solucionado pela San Francisco Police Department

Diversas cartas continuaram a ser enviadas. A maioria trazia ameaças ou discursos de auto-exaltação, mas alguns postais de tons ironicamente amistosos também foram distribuídos. Em 26 de junho de 1970, o Zodíaco assumiu o assassinato de um policial que distribuía multas a carros estacionados irregularmente, o sargento Richard Radetich. A investigação da polícia, no entanto, descartou o serial killer como o autor do crime.

Junto a essa mesma carta, o criminoso enviou um mapa da área da baía de San Francisco. Na região de Monte Diablo, ele desenhou seu característico símbolo do círculo com a cruz, sobre a qual escreveu "0 3 6 9". Adicionalmente, incluiu uma mensagem cifrada de 32 caracteres. Dizia que os números e os códigos levariam a polícia à localização de uma bomba. A carta nunca foi decifrada; o dispositivo, nunca localizado, e a bomba, nunca detonada. Finalizando a correspondência, ele se gabava de mais duas mortes em relação à mensagem anterior: Zodiac Killer symbol.svg = 12, SFPD = 0.

Em 24 de julho de 1970, o Zodíaco reconheceu sua participação na tentativa de sequestro de Kathleen Johns em uma carta à imprensa. Dois dias mais tarde, descreveu as fantasias de tortura que reservaria aos seus "escravos" no "paraíso pós-vida". Ao fim da carta, um novo placar: Zodiac Killer symbol.svg = 13, SFPD = 0. 

Última mensagem

As cartas do Zodíaco subitamente cessaram em fins de 1970. Por três anos, não houve novas tentativas de comunicação. Quando todos já se perguntavam o que teria acontecido ao serial killer, o Chronicle foi surpreendido com uma nova correspondência do assassino, datada de 19 de janeiro de 1974. Aquela carta, porém, não trazia provocações ou ameaças. Apenas comentava sobre o mais recente sucesso dos cinema (O exorcista, que o Zodíaco considerava o melhor comédia satírica que já vira) e trechos em verso da Ópera Cômica The Micado. Ao final, o placar atualizado (e talvez definitivo?): Me = 37, SFPD = 0.

O Zodíaco nunca mais fez contato.

PROVOCAÇÕES À POLÍCIA 

A imprensa não foi o únco alvo das mensagens do Zodíaco. Ele também encaminhou diversas cartas à polícia, gabando-se de seus feitos e zombando da ineficácia das autoridades. Em uma de suas correspondências, ele inseriu o número 12 no símbolo que adotara para si, o círculo cortado pela cruz. Tratava-se de uma provocação: ele já causara doze mortes, e a polícia se mostrara incapaz de detê-lo.

A compilação de todas as cartas já escritas pelo Zodíaco pode ser facilmente encontrada em sites especializados. Um dos trechos mais sinistros de suas mensagens poderia levar leitores mais susceptíveis à paranoia:

"Eu passo a noite em claro, pensando quem eu matarei na próxima vez. Quem sabe a próxima seja aquela bela loira, que todos os dias as sete da noite passa por um rua escura? Não compliquem as coisas, deixem suas filhas e mulheres dentro de casa à noite”

SUSPEITOS

Literalmente milhares de suspeitos foram interrogados, sondados ou observados pela polícia. Embora as autoridades nunca tenham chegado a um consenso quanto à identidade do Zodíaco, alguns desses suspeitos permanecem até hoje - alguns mesmo depois de mortos - como fortes candidatos ao veredito de culpado.

Arthur Leigh Allen

Foi o principal suspeito da polícia por muito tempo. Sua figura foi popularizada pelo filme Zodíaco, de David Lynch, onde é identificado como o inequívoco autor do ataque a Michael Mageau. De fato, o sobrevivente do tiroteio no estacionamento de Blue Rock Springs chegou a identificá-lo como o homem que os abordara naquela noite. No entanto, o reconhecimento só se deu em 1991, mais de vinte anos após o ocorrido, quando o policial George Bawart lhe mostrou uma série de fotos de suspeitos. Perguntado porque jamais apontara Allen como seu agressor antes, Mageau afirmou que nunca antes lhe tinha sido mostrado uma foto daquele homem.

Outras circunstâncias apontam para a culpa de Allen. Na época em que ele se mudou de Vallejo, a fim de frequentar o curso de ciências biológicas da Escola Estadual de Sonoma, entre 1970 e 1974, os crimes do Zodíaco abruptamente cessaram, bem como suas cartas. Ao mesmo tempo, uma série de assassinatos envolvendo mulheres que viajavam de carona em Sonoma começaram a ocorrer. Em 1974, Allen foi preso na cidade por molestar sexualmente um menor de idade. A partir de então, os assassinatos de mulheres também cessaram.

Em Vallejo, Allen trabalhava a poucas quadras onde as primeiras mortes aconteceram. Ele também possuía um relógio da marca Zodíaco e, conforme se provou em uma busca em sua casa feita pela polícia, uma máquina de escrever do mesmo modelo em que diversas cartas do Zodíaco haviam sido datilografadas. Tinha conhecimento de explosivos, adquiridos quando servira a Marinha, o que bate com o perfil traçado pelas autoridades a partir de algumas mensagens do assassino. Era ambidestro e corpulento, estudara química e possuía um sedan marrom do mesmo modelo que fora usado em alguns ataques - todas características que coincidiam com as suposições das investigações oficiais. Ralph Spinelli, um amigo de Allen, certa vez procurou a polícia de San Francisco para relatar que Allen lhe dissera que mataria um taxista para provar-lhe que era o Zodíaco. Dias depois, Paul Stine morreu.

Allen tinha uma personalidade inegavelmente psicopática. Matava pequenos animais por prazer e dizia aos amigos mais próximos que gostaria de matar pessoas por diversão. No entanto - e apesar de todas circunstâncias suspeitas - nunca se conseguiu provar sua culpa. Allen morreu em 1992, em decorrência de diabetes e pressão alta. Dez anos depois, testes de DNA foram aplicados em amostras de seu tecido cerebral (colhidas no momento de sua autópsia), comparando-as com a saliva usada para selar as cartas enviadas pelo Zodíaco. O resultado provou que a saliva não pertencia a Allen. Outros testes de DNA, com outras amostras supostamente pertencentes ao serial killer, foram realizados. Também se compararam impressões digitais e palmares. Em rigorosamente todos os testes, Allen foi descartado como suspeito.

Richard Gaikowski

Muitos anos depois dos assassinatos do Zodíaco, um informante da polícia, de codinome Goldcatcher, afirmou ter trabalhado na redação de um jornal de San Francisco na década de 1980. Na época, ele foi colega de Richard Gaikowski, um jornalista que, segundo o informante, sabia demais a respeito do Zodíaco. Algumas coincidências o ligavam ao criminoso:

- Gaikowski vivia na área dos assassinatos nas décadas de 1960 e 1970;

- Os dias da semana em que o Zodíaco não postava suas tradicionais cartas coincidiam com os dias em que Gaicokowski, sobrecarregado de trabalho, fazia hora extra na redação do jornal;

- Pegadas de botas militares, do estilo e tamanho que Gaikowski tinha desde que servira o Exército, foram encontrados em algumas das cenas dos crimes;

- Gaikowski costumava abreviar seu sobrenome para Gaik ou Gike, nome similar ao que decodificado (Gyke) em uma cifra enviada para o San Francisco Examiner em 31 de julho de 1969;
 
- Sua semelhança com os retratos falados feitos do Zodíaco é evidente;
 
- O policial Nancy Slover, que falara ao telefone com o Zodíaco logo após o assassinato de Darlene Ferrin, afirma ter reconhecido a voz de Gaikowski como a do Zodíaco, ao ouvi-la muitos anos depois. 
 
Tais conexões, porém, se revelaram apenas circunstanciais. Apesar das várias suspeitas, nada jamais pôde ser comprovado contra Richard Gaikowski. Ele morreu em 2004, aos 68 anos, em decorrência de um câncer de pulmão.
 
Lawrence Kane
 

Quando a enfermeira Donna Lass desapareceu, em setembro de 1970, na região do Lago Tahoe, algumas circunstâncias sugeriram haver uma ligação entre seu sumiço e as ações do Zodíaco. O detetive Harvey Hines, encarregado da investigação, logo elegeu seu suspeito número 1: Lawrence Kane. Ele parecia obcecado por Lass, e a perseguia insistentemente, o que havia provocado horror à moça e a teria feito comentar com suas amigas o quanto aquele estranho homem a repugnava. Quando Donna mudou-se de San Francisco para South Lake Tahoe, em 1970, Kane seguiu-lhe os passos e se mudou para a mesma cidade, conseguindo emprego no mesmo edifício que Donna trabalhava - o Sahara Tahoe Hotel Cassino

Hines, que trabalhara em casos do Zodíaco, não tardou a notar as semelhanças de Kane com o perfil levantado pela polícia para o serial killer: alto, gordo, forte, branco, com mais de 30 anos e dono de um par de óculos com armação grossa e escura. Também parecia saber mais do que deveria sobre o assassino. A partir de suas investigações, Hines descobriu que Kane possuía identidades falsas, e que usara uma delas para se apresentar a Lass: Larry Krew. Outros aspectos de sua vida chamaram-lhe também a atenção:

- Servira na Marinha, onde recebera o diagnóstico de histeria psiconeurótica;

- Foi preso e acusado por perseguir pessoas;

- Trabalhava em Riverside quando do assassinato de Chery Jo Bates;

- Morava a duas quadras do local onde o Zodíaco tomara o táxi de Paul Stine;

- Tinha um carro Ambassador, tipo sedã, o mesmo modelo utilizado para sequestrar Kathleen Johns. Kathleen foi contatada, e reconheceu a foto de Kane como sendo a de seu sequestrador;

- O policial Foukes, que cruzara com o Zodíaco após o assassinato de Stine, a caminho da cena do crime, reconheceu a foto de Kane como a do homem que ele vira naquela noite;

- O nome Kane aparece em uma mensagem criptografada enviada ao San Francisco Chronicle em 1970. Se Kane era o Zodíaco, ele cumpriu a promessa de revelar seu nome nas mensagens;

- O Zodíaco chegou a assinar algumas de suas cartas como "Um cidadão". Se Kane era, de fato, o Zodíaco, poderia estar fazendo uma alusão ao filme Cidadão Kane.

Apesar de todas as evidências, Kane nunca foi formalmente acusado. Esteve vários anos na cadeia, mas nunca por um dos crimes cometidos pelo Zodíaco.

Theodore Kaczynski

Theodore Kaczynski é um famoso serial killer norte-americano, mais conhecido pelo seu codinome: o Unabomber. Há diversas similaridades entre o modus operandi de ambos os criminosos. Também compartilham várias características em comum: são inteligentes, vaidosos, profundos conhecedores de explosivos, estudiosos da matemática e gostam de provocar a imprensa por meio de cartas zombeteiras. Por essas características - mais que por qualquer prova ou evidência - a imagem de Kaczynski foi ligada à do Zodíaco. Testes de impressão digital foram feitos pela polícia, mas as marcas do Unabomber e do Zodíaco revelaram-se incompatíveis. 

Rick Marshall

Rick Marshall era um cinéfilo e colecionador de filmes antigos que despertou a atenção da polícia por meio de uma denúncia anônima. Além da paixão por filmes - uma marca registrada do Zodíaco - tinha características físicas amplamente compatíveis com o assassino: relativamente alto, obeso, branco e ambidestro. Usava óculos de armação grossa e escura e tinha uma máquina de costura que poderia ter sido usada para confeccionar a roupa com o símbolo da cruz com o círculo, que o serial killer usara em algumas de suas ações. Em 1975, deixou a California, quando os ataques do Zodíaco cessaram.

Por falta de provas, nunca foi acusado. Morreu em 2008, no condado de Marin, California.

Bruce Davis

A exemplo de Theodore Kaczynski, Bruce Davis apenas foi apontado como suspeito por ser um famoso serial killer que estava solto à época dos crimes. Ele morava na California e fazia parte da família Manson - a doentia irmandade de psicopatas liderados por Charles Manson que matou diversas pessoas na mesma época em que o Zodíaco atuava.

As similaridades param por aí. O modus operandi do Zodíaco diferia em muito daquele utilizado pela família Manson. Os seguidores de Charles matavam com armas brancas, deixavam mensagens pintadas em sangue nas paredes e reviravam os locais dos crimes, em uma autêntica orgia assassina. O Zodíaco, embora já tenha matado a facadas, usualmente usava pistolas, era metódico e não deixava mensagens - apenas recolhia seus troféus. A relação é tênue demais para se estabelecer uma suspeita fundamentada.

Michael O'Hare/Gareth Penn

Gareth Penn era um escritor californiano que se dedicou a desenvolver ensaios sobre as atividades do Zodíaco a partir de 1981. Seus artigos foram publicados pela revista The Ecphorizer, de San Francisco, até 1995. Segundo o escritor, os casos do Zodíaco foram apresentados a ele pelo pai, Hugh Scott Penn, um oficial reformado do Exército que trabalhara como criptógrafo durante a Segunda Guerra Mundial.

Seu primeiro ensaio foi publicado sob o título "Retrato de um artista como assassino em massa". No artigo, Penn levanta a teoria de que os locais dos assassinatos do Zodíaco foram meticulosamente escolhidos para se traçar uma figura geométrica sobre o plano da cidade. O ensaio, polêmico, não deixou de representar um elogio à capacidade artística do assassino, o que foi recebido pelos leitores como uma expressão de péssimo gosto de Penn.

O escritor também publicou dois livros por conta própria: Times 17 - The Amazing Story of the Zodiac Murders in California and Massachusetts e, oito anos depois The Second Power: A Mathematical Analysis of the letters attributed to the Zodiac murderer and supplement to Times 17. Ao mesmo tempo, passou a publicar diversos artigos acusando o professor de política pública da Universidade da California, Michael O'Hare, de ser o Zodíaco.

O'Hare era um profissional talentoso e inteligente, renomado por seu vasto conhecimento sobre criptografia, matemática e armas de fogo. Segundo Penn, uma das cartas do Zodíaco por ele analisadas continha o nome Michel O. codificado. Penn também acusou O'Hare de ter assassinado o estudante de arquitetura Joan Webster, que desapareceu em 1981 e teve seus restos mortais encontrados nove anos depois, em Boston. Segundo o acusador, havia "similaridades geométricas" entre o assassinato de Webster e os crimes do Zodíaco.

O'Hare, obviamente, negou os crimes, e entrou com uma queixa-crime contra Penn no FBI, alegando ser vítima de extorsão. Os agentes se encontraram com o escritor, que admitiu ter enviado material sobre os crimes a O'Hare, mas negou a intenção de extorqui-lo. Os agentes o preveniram para que deixasse de se comunicar com o professor, caso contrário, responderia legalmente pelo assédio. 

Ao fim, a estranha obsessão de Penn por O'Hare e pelo Zodíaco, bem como suas pouco ortodoxas teorias e admiração pelo assassino, fizeram recair sobre o próprio escritor a suspeita de que ele seria o Zodíaco. As provas, porém, eram exíguas - senão inexistentes - e Penn nunca foi acusado por qualquer ação cometida pelo serial killer.

FAMA

 

Até hoje, o Zodíaco é um dos assassinos mais relembrados e discutidos de todos os tempos. Suas características únicas, o peculiar modo de agir, as vítimas abundantes, a inteligência incomum e o feito e nunca ter sido descoberto transformaram sua figura em um ser mítico. Centenas de artigos, livros, filmes e séries se encarregam de manter sua memória viva. Na internet, um campo naturalmente fértil para difundir informações - falsas ou verdadeiras - um vasto material destrincha os casos do Zodíaco para quem dispuser a estudá-los em detalhes. Os sites zodiac killer, zodiac killer facts e zodiac ciphers, entre muitos outros, trazem excelentes matérias sobre os casos aqui descritos.

No fim, ao se estudar os passos do Zodíaco e se verificar quanta atenção o assunto ainda atrai, cabe lembrar que ele nunca foi preso. Como atuou ao redor do ano de 1970 - e contava então com trinta e poucos anos, segundo estimativas - pode-se imaginar que ele ainda esteja vivo, ou que tenha vivido até pouco tempor atrás. Nesse caso, fica a pergunta: por que ele parou? Teria sido preso? Ou morreu antes que imaginamos? Há uma possibilidade mais sombria: a de que o Zodíaco nunca tenha parado, apenas mudado seu modus operandi, de modo a despistar a polícia. Sua inteligência certamente poderia tê-lo conduzido nessa direção.

De todo modo, é quase certo que nunca mais se relacionará um novo caso de assassinato ao Zodíaco. A não ser que, em algum lugar do mundo, em uma redação de jornal, um estúdio de televisão ou rádio, ou atrás de um computador que alimenta um site, um jornalista receba em sua mesa uma conhecida e horripilante mensagem anônima: This is the Zodiac speaking...

 

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